2014-11-04

Crónicas numa Língua de Sal: Um passeio a St.º Antão

02-11-2014 - Domingo

Hoje é domingo e tomámos o ferry para St.º Antão. É cedo 08h e o primeiro barco, o mais barato, vai com muita gente, pessoas que regressam a casa de longas jornadas e turistas, muitos turistas de todas as idades. Mais franceses que alemães, e mais de outras nacionalidades que portugueses. Toda a gente equipada para caminhar de botas e paus, carregando pesadas máquinas de fotografar.
O transporte que escolhemos foi a carrinha de transporte coletivo que nos levou por uma estrada do litoral até Ponta do Sol, no extremo da ilha. Pelo caminho os vários locais tinham aspeto bem pobre, aqui as pessoas vivem da pesca e da agricultura. No entanto em Porto Novo e Ponta do Sol, viam-se algumas construções recentes, pequenos Hotéis e Restaurantes sempre com alguns estrangeiros.
Em Ponta do Sol uma povoação piscatória com um pequeno porto, ou melhor, uma proteção para pôr e tirar os pequenos barcos. Visitámos uma carpintaria naval que tinha o artesão a trabalhar apesar de ser domingo, e que nos contou a sua vida pobre entre a carpintaria naval a pesca e a agricultura pois nem sempre tinha trabalho a fazer os barcos.
Mas Ponta do Sol tinha mais coisas, tinha crianças de folga da escola, gente de mais idade que jogava cartas, tinha uma praça grande ajardinada, uma igreja e até um aeroporto que pelo aspeto já não funcionava há muito tempo.
O regresso foi pela mesma estrada e pela mesma paisagem agreste junto ao mar, e verde, e cheia de socalcos plantados quando entravamos um pouco mais no interior. O barco sendo o mesmo que nos levou, já não era o mesmo, pois desta vez ainda que trouxesse turistas, estes nem se notavam pois havia uma multidão de locais, jovens e barulhentos, que regressavam aos seus locais de trabalho após um fim de semana na terra.